« Povo que lavas no rio » est l’une des plus belles chansons portugaises jamais écrites. Ce fado, dont on doit le texte au poète Pedro Homem de Mello, et la musique à Joaquim Campos, a été magistralement interprété par la grande Amália Rodrigues, avant d’être repris par de nombreux artistes (Antonio Variações, Dulce Pontes, Mariza…).

Après l’interdiction à la radio de la diffusion du Fado de Peniche, considéré par le régime dictatorial comme un hymne aux prisonniers de Peniche, « Povo que lavas no rio » prit une dimension politique.
Le texte de Pedro Homem de Mello, qui est un vibrant hommage rendu au peuple portugais qui traversait à l’époque salazariste une situation de grande pauvreté, parle d’un pays rural et sous-développé économiquement par rapport à l’industrialisation européenne.

Povo que lavas no rio
Que talhas com o teu machado
As tábuas do meu caixão.
Pode haver quem te defenda
Quem compre o teu chão sagrado
Mas a tua vida não.
Fui ter à mesa redonda
Bebi em malga que me esconde
Um beijo de mão em mão.
Era o vinho que me deste
Água pura, fruto agreste
Mas a tua vida não.
Aromas de urze e de lama
Dormi com eles na cama
Tive a mesma condição.
Povo, povo, eu te pertenço
Deste-me alturas de incenso,
Mas a tua vida não.
Povo que lavas no rio
Que talhas com o teu machado
As tábuas do meu caixão.
Pode haver quem te defenda
Quem compre o teu chão sagrado
Mas a tua vida não.

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