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Immigration

MAMAN

Maman,
Comme des centaines de milliers de Portugais qui ont immigré en France dans les années 60, tu es venue rejoindre ton mari, qui était arrivé en pionnier quelques temps plus tôt. Véritable mère courage, le cœur déchiré pour avoir laissé derrière-toi ta famille et tes deux enfants les plus âgés qui étaient scolarisés au Portugal, tu as traversé la frontière à pied avec ton baluchon sur le dos, un bébé dans les bras et un autre que tu tenais par la main. Tu as partagé ta vie entre ton beau petit village natal du Portugal et la France, un pays que tu aimais tant, et où tu as accouché d’un cinquième enfant. Tu étais une femme remarquable, une femme courageuse qui a travaillé dur et qui a consacré toute sa vie et toutes ses forces à faire en sorte que ses enfants ne manquent de rien. Ta seule et unique richesse, ta raison de vivre, c’était tes enfants et tes petits enfants, dont tu étais si fière et que tu aimais plus que tout. Tu étais la douceur, la bonté et la tendresse incarnées. Ton rire tellement communicatif et espiègle, résonnera à jamais dans nos coeurs. Tu formais avec Papa, un couple fusionnel qui rayonnait d’amour. Je n’oublierai jamais vos parties de cartes passionnées, les nombreux bons petits plats portugais que tu nous préparais avec amour lors des réunions de famille et pour les fêtes. Nous n’oublierons jamais tous ces moments précieux que nous avons passé à tes côtés. Papa est parti il y a 7 ans. Tu es allée le rejoindre dans un petit cimetière de la Banlieue parisienne, et c’est là, à ses côtés, que tu vas reposer en paix pour l’éternité. A cause de cette terrible pandémie qui frappe le Monde et qui enferme les gens dans la solitude, tu ne pouvais plus voir tes enfants, à ton grand désespoir. Tu nous a quittés, tu es partie sans prévenir, en douceur, en catimini, avec ta discrétion habituelle.
Maman, ton cœur s’est arrêté, tu es morte d’avoir trop donné, de nous avoir trop aimés. Nous n’aurons pas assez d’une vie pour te rendre un si beau et tendre amour.

Mãe,
Tal qual centenas de milhares de portugueses que emigraram para França na década de 60, também tu foste ter com o teu marido, que havia chegado um pouco antes a esse país de acolhimento. Verdadeira mãe coragem, com o coração a sangrar por teres deixado para trás a tua família e os teus dois filhos mais velhos, que entretanto já frequentavam os estudos em Portugal, passaste a fronteira a pé com o teu pequeno bornal às costas, um bebé ao colo e ainda outro filho pequeno que levavas pela mão. Tu viveste a tua vida dividida entre a tua linda pequena aldeia portuguesa e a França, um país de que tanto gostavas e onde deste à luz o teu quinto filho. Eras uma mulher notável, uma mulher corajosa que trabalhaste arduamente e que dedicaste toda a tua vida e toda a tua energia para que nada nos fizesse falta. A tua única riqueza, a tua razão de viver eram os teus filhos e os teus netos, dos quais sentias tanto orgulho e que amavas acima de tudo, incondicionalmente. Tu eras a personificação da doçura, da bondade e do carinho. O teu riso tão comunicativo e contagiante ressoará nos nossos corações para sempre. Tu e o pai formavam um casal indivisível e que transbordava amor. Nunca esquecerei o tempo que passavam a jogar às cartas, os variados pratos típicos portugueses que nos preparavas com amor durante as reuniões de família e nas ocasiões festivas. Nós, os teus filhos, nunca esqueceremos todos esses momentos preciosos que passámos contigo. Faz 7 anos que o pai partiu. Agora, foste fazer-lhe companhia num pequeno cemitério dos arredores de Paris, sendo somente lá, a seu lado, que descansarás em paz para a eternidade. Devido a esta horrível pandemia, que assola o mundo e que confina as pessoas à solidão, já não podias ver os teus filhos e isso causava-te um grande transtorno. Deixaste-nos, partiste sem avisar, de mansinho, sorrateiramente, com a tua acostumada discrição. Mãezinha, o teu coração parou, e a causa da tua morte foi motivada pelo teu excessivo zelo e amor para connosco. E tenho a certeza de que toda a nossa vida não será suficiente para que te possamos retribuir a grandeza do teu amor por nós.

Luis Coixao

(tradução francês-português : Isabel Mateus – escritora)