Avant sa mort en 1999, la grande Amália avait souhaité qu’on chante Grito (Le Cri) lors de son enterrement, un fado qu’elle a écrit et que Carlos Gonçalves a mis en musique. Ce beau texte, qui parle de la solitude de la vieillesse, des souvenirs assombris et de la mort, Gonçalo Salgueiro, un jeune chanteur, surnommé le Prince du Fado, qui s’est fait connaître grâce aux comédies musicales « Amalia » et « Jesus Super Star », l’a repris dans son premier album, « No Tempo das Cerejas » (2002), un opus entièrement dédié à son idole.


Silêncio!
Do silêncio faço um grito
O corpo todo me dói
Deixai-me chorar um pouco.
De sombra a sombra
Há um Céu…tão recolhido…
De sombra a sombra
Já lhe perdi o sentido.
Ao céu!
Aqui me falta a luz
Aqui me falta uma estrela
Chora-se mais
Quando se vive atrás dela.
E eu,
A quem o céu esqueceu
Sou a que o mundo perdeu
Só choro agora
Que quem morre já não chora.
Solidão!
Que nem mesmo essa é inteira…
Há sempre uma companheira
Uma profunda amargura.
Ai, solidão
Quem fora escorpião
Ai! solidão
E se mordera a cabeça!
Adeus
Já fui para além da vida
Do que já fui tenho sede
Sou sombra triste
Encostada a uma parede.
Adeus,
Vida que tanto duras
Vem morte que tanto tardas
Ai, como dói
A solidão quase loucura.

Gonçalo Salgueiro, Grito (YouTube)