gaivotaLa révolution du 25 Avril 1974, atypique, sans effusion de sang, la fleur au fusil, symbolisée par les oeillets, a utilisé la musique comme le code d’une nouvelle ère. On chantait partout au Portugal, sur les places, dans la rue, à la campagne, que « O povo é quem mais ordena, dentro de ti ó cidade… », mais également « Somos Livres (Uma Gaivota Voava, Voava) ».

Somos Livres (Uma Gaivota Voava, Voava)

Ontem apenas
fomos a voz sufocada
dum povo a dizer não quero;
fomos os bobos-do-rei
mastigando desespero.

Ontem apenas
fomos o povo a chorar
na sarjeta dos que, à força,
ultrajaram e venderam
esta terra, hoje nossa.

Uma gaivota voava, voava,
assas de vento,
coração de mar.
Como ela, somos livres,
somos livres de voar.

Uma papoila crescia, crescia,
grito vermelho
num campo cualquer.
Como ela somos livres,
somos livres de crescer.

Uma criança dizia, dizia
« quando for grande
não vou combater ».
Como ela, somos livres,
somos livres de dizer.

Somos um povo que cerra fileiras,
parte à conquista
do pão e da paz.
Somos livres, somos livres,
não voltaremos atrás.

Paroles et Musique : Ermelinda Duarte